domingo, 28 de março de 2010

Agua Pasada (Joaquin Sabina)



E assim foi escapando de uma prisão de amor como se fosse a fuga mais esperada da sua vida e caiu nos delírios do álcool para esquecê-lo. Sempre fugitiva daqueles sentimentos, descobriu sua loucura e atravessou o oceano para melhor viver, para correr atrás de sua essência. Enquanto aqui estava, disfarçava sua solidão com a voz de Sabina e com palavras de Caio Fernando de Abreu. Tinha a certeza de que isso a completava. Completava ou satisfazia seu vazio passageiro que nunca passava? Viveu num quadrado onde tudo parecia perfeito, perfeitamente calculado. Trocou o passado perfeito por um presente perfeitamente imperfeito. Dividida entre duas línguas e dois amores foi viver o seu desejo cultural. A vida materna em decadência, a vida estrangeira em ascensão. E no meio dessa tormenta, foi alimentar sua alma. E no meio dessa refeição conheceu a perdição de sua vida. Conheceu a salvação da sua vida. Duas almas insanas com ânsias profanas. Sabina os uniu. Caio Fernando os alimentou. Ele teve atitude, ela teve medo. Fugiu, correu. Voltou para a terra materna. E aqui entendeu que o lá não era a sua essência e sim o seu sonho. E lá viveu o seu sonho pequeno burguês de encontrar o grande amor no meio da multidão. Lá chegou a pensar que não sobreviveria sem anfetaminas. Aqui compreendeu que estava completamente adicta do amor que sentia e recebia dele. Lá pensou que fora vazia. Aqui compreendeu que é completa. E que apenas quer se dividir com a completude dele.


(SANTOS, L.)

3 comentários:

  1. SANTOS, L. supera-se a cada dia!
    parabéns, Margarida, teu melhor texto, teu melhor fluxo...

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  2. Amar é bom ... o que mata é a posse.

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  3. Obrigada pela atenção! Mas como amar e deixar de lado a posse? Beijão!

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